“HTPC EM REDE” 2025 - “A Organização da Ação Pedagógica na Educação infantil: Experiências, Relações e Construção do Conhecimento”
8º encontro
Objetivos do encontro:
l Proporcionar um momento de brincar voltado ao professor;
l Propor uma leitura sobre o papel do professor reflexivo;
l Exercitar a auto-avaliação e colher informações sobre as necessidades de processo formativo para 2026;
Pauta:
l Acolhimento: “ Vivência com jogos”;
l Leitura: “O que trago em mim e como interajo com a realidade” - pág 22 - Livro Prática docente - Maria Alice Proença
l Auto-avaliação
l O que gostaria de estudar em 2026?
REGISTRO REFLEXIVO:
Nosso último encontro iniciou de maneira prazerosa, com muitos jogos nas mesas do refeitório para que os professores pudessem exercitar o brincar, que é o grande Norte da Educação Infantil. Os jogos escolhidos por mim foram: “Cara a Cara”, “Lince”, “Cilada”, “Jogo da Pizza”, “Cadê” e um quebra-cabeça diferente com peças em diferentes formatos, com um unicórnio todo colorido.
Acreditei que em cerca de 40 minutos, todos já teriam se dissipado dos jogos, porém não foi o que aconteceu, percebi entusiasmo e envolvimento, os professores não viram o tempo passar. O jogo Cadê gerou disputas, também pude perceber que aqueles que conheciam os jogos ensinavam os que não conheciam... Brinquei junto também e foi muito interessante, pois alguns jogos tinham variações e formas de conduzir diferentes e iríamos todos aprendendo, tal e qual como acontece com as crianças. Percebi que a professora Thais, recém chegada, já conhecia todos os jogos e me ajudou a ensinar os colegas, Nara e Flávia também já conheciam alguns. O quebra-cabeça, por ser mais complexo, acreditei que não finalizaria, porém todos passaram um pouco por ele e por fim acabamos conseguindo finalizá-lo e viver um momento de brincadeira por prazer. Flávia comenta que usa o Lince com as crianças do AEE e que ela é um bom jogo para trabalhar a atenção, coordenação e a questão viso-motora. Após esse momento a coordenadora trouxe uma leitura breve porém importante, retirada do livro “ Prática docente: a abordagem de Reggio Emilia e o trabalho com Projetos, portfólios e Redes Formativas”, conforme exposto a seguir:
O que trago em mim e como interajo com a realidade
Complementando o pensamento piagetiano para definir "educação", cito aqui o escritor Daniel Munduruku, ao refletir sobre suas raízes culturais:
Educação para nós [povo indígena] se dava no silêncio. Nossos pais nos ensinavam a sonhar com aquilo que desejávamos. Compreendi, então, que educar é fazer sonhar. Aprendi a ser índio, pois aprendi a sonhar ("viajar", na linguagem do não índio). la para outras paragens. Passeava nelas, aprendia com elas. Percebi que, na sociedade indígena, educar é arrancar de dentro para fora, fazer brotar os sonhos e, às vezes, rir do mistério da vida. (1996, p. 38)
Piaget e Munduruku voltam seus olhares para as suas origens, europeia e indígena, respectivamente, atribuindo um sentido singular às questões internas e culturais do sujeito-aprendiz, educador ou educando.
Somente uma experiência de fato significativa e de acordo com inquietações pessoais pode se configurar como um incomodo capaz de proporcionar mudanças nos habitus do educador.
Para provocar mudanças, a formação do docente deve basear-se em um processo criativo, flexível, gradativo e singular, que dê voz a seus atores e, em especial, desenvolva o sentimento de pertencimento e cultura de grupo, pois só há validade de saberes e fazeres a partir de similaridades e confrontos com as ideias alheias, que criem um "código" de referência aos que fazem parte de um grupo.
HABITUS
Pierre Bordieu, sociólogo francês, discute o conceito de habitus como uma matriz de atuação do indivíduo que, na maioria das situações cotidianas, age sem refletir sobre seus atos, apenas reproduzindo estruturas anteriormente bem-sucedidas, ou com recursos suficientes para "dar conta" de uma situação..
A aprendizagem é considerada por Piaget como um espaço de busca, de vivências, confrontos, verbalizações, tomada de consciência dos fazeres e saberes pessoais na construção de experiências que deixam marcas. Em especial, experiências que ampliam o repertório de atuação do sujeito-educador, transformando habitus e matrizes em maneiras criativas e diferenciadas de agir e de ser professor, autor de sua história.
O professor em constante processo de formação deveria manter a capacidade infantil de se encantar diante de eventuais descobertas e estranhar a ausência de respostas momentâneas para determinadas situações, convertendo-as em objeto de pesquisa e busca de novos conhecimentos.
O ponto de partida e de chegada da proposta formativa, que objetiva a qualificação docente, é o professor/educador, elemento central do processo: a forma como atua, interage com os alunos e com os demais parceiros, como produz conhecimentos no exercício da docência, no ambiente de construção de conhecimentos, um sujeito invetigador.
A formação em serviço, efetivada no lócus de atuação do sujeito-educador, a escola, pode se transformar em um espaço central de reflexão e melhoria qualitativa do trabalho realizado por um grupo que se percebe como agente de mudanças significativas no contexto institucional, a partir de trocas interativas de fazeres e saberes da prática pedagógica cotidiana.
Após esse momento, todos os presentes foram convidados a realizar uma auto-avaliação/avaliação das aprendizagens da formação, conforme segue uma compilação de dados a seguir:
1- Para que serve a documentação Pedagógica?
Para registrar, orientar, acompanhar e nortear o fazer docente, pautar todo o desenvolvimento e evidenciar as conquistas das crianças bem como avaliar todo o processo de aprendizagem das crianças, assim como avaliar todo o trabalho pedagógico e socializar com os envolvidos no processo, gerando reflexão e ação.
2- Você pode listar algumas ações que fez esse ano referente a cultura antirracista? A escola disponibilizou material?
Sim, diversos materiais foram disponibilizados para o trabalho com a cultura antirracista, tais como: literatura, obras de arte, materiais de arte (guache e giz de cera em diferentes tons de pele), também organizamos alguma obras coletivas para a exposição de artes.
3- Em relação a documentação pedagógica, na formação foi abordada a importância do mural, Você pode explicar em poucas palavras, como fazer um mural mais completo e porque ele deve ser assim?
Sim ,foi abordado a importância do mural de forma que o mesmo deve apresentar atividades com nomes das crianças, breve relato do percurso criador, podendo ser enriquecidos com fotos, demonstrando o momento da criação, de forma a garantir o acesso ao percurso para toda comunidade escolar, para aproximar as famílias e valorizar os processos de ensino e aprendizagem.
4- Ao longo da formação você teve acesso ao trabalho com as “ilhas de brincar” ou “vivências de contextos”. Para que serve isso e qual o papel do professor neste tipo de experiência?
Sim, foram proporcionados vários momentos em contextos diversificados, ao longo desse processo o papel fundamental do professor como organizador, mediador, atuando ao sugerir e propor situações, que favoreçam cada vez mais as habilidades das crianças e atuar como um observador também, compreendendo que o brincar é livre para a criança, não para o professor.
5- Ao longo da formação você pode entender que a fotografia pode ser usada como forma de documentar o processo pedagógico e os avanços das crianças. Como você tem utilizado a fotografia?
Usamos para documentar atividades diárias, nos semanários, portfólios, nos murais, para alimentar a página do instagram, enfatizando os processos de aprendizagens coletivos e individuais.
6- Em relação as adequações curriculares? O que você aprendeu? Houve tempo em HTPC para estudo e para fazê-la na prática?
Sim, foram pensados em materiais que atendessem as necessidades das crianças portadoras de necessidades especiais, tivemos alguns encontros em que houve o estudo das adequações, fez ampliar o olhar para as possibilidades de adaptação.
7- Como foi sua participação no HTPC em rede? Você foi frequente? Fez as tarefas? Colocou em prática as propostas? Aprendeu algo sobre o uso do CANVA?
Todos do grupo foram frequentes e participativos, o uso do CANVA foi aprimorado.
8- Qual tema você gostaria de estudar em 2026?
l Uso do CANVA;
l Cultura Africana (Intensificar);
l Desenho Infantil;
l Educação inclusiva: Adequações Curriculares em casos mais complexos, Recursos de acessibilidade em salas regulares;
l Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

